quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Toninha (Pontoporia)

Toninha, também conhecida como franciscana (Pontoporia blainvillei), uma pequena espécie de golfinho que habita parte do litoral do Brasil, Uruguai e Argentina. Infelizmente, é um animal ameaçado de extinção.

Modelo em porcelana fria de uma fêmea adulta em escala 1:4.











segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Banquete no Litoral - Formação Pisco

Não muito longe da orla de uma praia no Peru durante o Mioceno Tardio, a busca por alimento e a luta para não virar comida movimentam a vida abaixo d'água. Esta fauna marinha conta não só com criaturas um tanto esquisitas aos nossos olhos, mas também com alguns gêneros e espécies que continuam vivendo nos dias de hoje.
 
À frente da cena, uma mãe Odobenocetops leptodon e seu filhote se alimentam de bivalves Anadara sp. que encontram no fundo. Este animal peculiar, aparentado aos atuais beluga e narval, chama a atenção por possuir o focinho mais curto entre os cetáceos, além de um par de pequenas presas voltadas para trás (nos machos, apenas um lado possuía uma presa extremamente longa, de até 1 m). Embora não seja conhecido por esqueletos completos, a proporção de suas vértebras indica um animal de 3 m de comprimento. A mãe nada cobrindo o filhote, como se instintivamente o protegesse de um perigo próximo. Fora os Anadara, os cetáceos acabam afugentando as vieiras Chlamys sp., que revelam uma habilidade rara entre bivalves: ao sinal de perigo, são capazes de nadar. 

O fundo também atrai alguns herbívoros, e preguiças-gigantes Thalassocnus natans se reúnem para devorar as gramas marinhas Zosteraceae. Estes xenartros de 2,5 m mostram mais uma adaptação a um nicho tão diferente entre seu grupo, que distoa das pequenas preguiças arborículas atuais. Perto deles, estrelas-do-mar Luidia magellanica atacam os ouriços-do-mar Loxechinus sp., e arraias Myliobatis sp. vasculham a areia atrás de bivalves. Pelo canto inferior esquerdo, alguns pepinos-do-mar Isostichopus fuscus se enterram na areia, mantendo apenas seus tentáculos expostos para coletar partículas de alimento. Alguns indivíduos estão fora da areia e sobre uma rocha, que também abriga um Octopus vulgaris (polvo comum), que se camufla. Distantes, no canto direito, crescem algumas algas Lessonia sp. e, cima delas, no canto superior mas mais afastada, há uma Architeuthis sp. (lula-gigante), sendo especulativa a sua presença neste período. Por algum motivo impulsionado por sua saúde debilitada, o grande cefalópode é mostrado deixando seu habitat em águas profundas e chegando até a costa (um fenômeno trágico, mas que ocorre até hoje e nos permite conhecer melhor este elusivo animal).
 
Enquanto se alimentam, os OdobenocetopsThalassocnus podem se tornar a próxima refeição de outro animal que se aproxima, vindo do mar aberto: um grupo de Acrophyseter robustus, caçadores de ~4,5 m. Esses cetáceos possuíam dentes grandes e fortes, indicando que caçavam presas de tamanho considerável como, por exemplo, outros mamíferos marinhos. Eles fazem parte da superfamília Physeteroidea, que inclui os cachalotes atuais - Acrophyseter e algumas outras espécies do Mioceno são, inclusive, chamadas de "cachalotes macropredadores", devido suas adaptações para abater animais grandes. 
 
O prato principal da cena, um espetáculo que atrai diversas bocas famintas, é um cardume de Sardinops sp. Esses peixes prateados de ~40 cm buscam a segurança nos números, mas enfrentam ataques simultâneos que confundem sua formação defensiva. Duas espécies de pinguins, a menor Spheniscus humboldti (pinguim-de-humboldt), vindos da praia, e a maior e de bico proporcionalmente mais longo e robusto, Spheniscus megarhampus, vindos do mar aberto, atacam em seus bandos e acabam coordenando por acaso suas investidas, que perfuram o cardume. Baleias Piscobalaena nana também tentam encher suas bocas filtradoras com os Sardinops, mas elas não são um predador tão aterrorizante para os peixes quanto se imaginaria pensando nas baleias atuais - essa espécie chegava a "apenas" 4-5 m. O clássico caçador marinho, o tubarão, marca sua presença com um Isurus oxyrinchus (tubarão-mako); entretanto, ele deixa a área antes que pudesse apanhar uma presa, tendo se assustado com um grande crocodiliano (que pode ter chegado a 8 m) que se aproximava logo abaixo, o Piscogavialis jugaliperforatus. Num movimento habilidoso, uma Acrophoca longirostris abocanha um Sardinops separado do cardume, e no céu algumas Pelagornis sp. (grandes aves de ~6 m de envergadura) esperam por sua oportunidade de capturar qualquer peixe que apareça na superfície.
 
Nova arte para o projeto Tales from the Phanerozoic, de João Macêdo. Confira aqui o capítulo sobre o Mioceno Tardio, com a história por trás da cena e informações detalhadas sobre o ambiente e as criaturas. 
 
 

 

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Smilodon

Smilodon populator, o famigerado "tigre-dentes-de-sabre". Como sua aparência sugere, Smilodon não foi um tigre propriamente dito, mas sim um membro de outro grupo de felinos, os macairodontíneos.

Este clássico animal da pré-história habitou as Américas durante o Pleistoceno e Holoceno, tendo vivido também no Brasil (de onde foram conhecidos, inclusive, seus primeiros fósseis). Sendo a maior e mais robusta espécie do gênero, S. populator chegou a aproximadamente 1,2 m de altura nos ombros, e teve um crânio de quase 40 cm.

Apesar de ser ter sido nomeado em 1842, foi apenas depois de praticamente 100 anos, em 1941, que se publicou um artigo com a descrição de um esqueleto completo de S. populator, estabelecendo então sua anatomia e proporções um tanto diferentes dos grandes felinos atuais.

Porcelana fria, escala 1:10.












segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Campos da Patagônia - Formação Collón Curá

Patagônia, Argentina, durante o Mioceno Médio. Um ambiente quente e de áreas abertas, com poucas árvores e coberto de vegetação rasteira como, por exemplo, as ilustradas gramíneas e flores Amaranthaceae e Asteraceae. 

Depois da Era dos dinossauros, mais uma vez o topo da cadeia alimentar é ocupado por um grande terópode terrestre: Kelenken guillermoi, o maior dos Phorusrhacidae, ou "aves do terror". Tal alcunha não é exagero, pois com um crânio de ~70 cm armado com um bico curvo e afiado, mais de 2 m de altura, garras poderosas e ossos da perna que sugerem velocidade e agilidade altas para uma ave deste porte, Kelenken de fato instaurava o terror para qualquer animal que ele visse como alimento. Dois indivíduos aparecem na cena, cercando individualmente (não estão cooperando) suas presas em potencial, os macrauquenídeos Theosodon sp., que chegam a 2 m de comprimento e quase 1 m de altura nos ombros. Esses mamíferos com aspecto de camelo possivelmente exibiam um tecido nasal complexo semelhante a uma "tromba", mas incapaz de agarrar alimento (não uma probóscide verdadeira, mas sim uma "prorhiscis", similar a animais como alces, saigas, elefantes-marinhos entre outros, o que é inferido para seu parente Macrauchenia). O bando se alimenta entre as árvores Nothofagus sp., e usará essa área de mata mais fechada para tentar despistar as aves predadoras, onde elas perdem a vantagem da corrida em campo aberto.

Ainda na árvore mais próxima, uma mãe Neotamandua australis, com seu filhote agarrado à suas costas, se pendura no tronco. Apesar deste gênero ser considerado próximo do atual Myrmecophaga (tamanduá-bandeira), o fóssil encontrado na Formação (um úmero) mostra certa similaridade ao Tamandua (tamanduá-mirim e tamanduá-do-norte), indicando que possa se tratar de algum outro gênero (é considerado que Neotamandua, como um todo, precisa de uma revisão em suas espécies).

No canto inferior direito, à frente, alguns pequenos animais disputam uma toca. Dois notoungulados com aspecto de roedor, Protypotherium colloncurensis (espécie um tanto grande e robusta para seu gênero), querem tomar a toca cavada por um Peltephilus pumilus, um curioso tatu com chifres. Ele assusta vários percevejos Panstrongylus sp. que moram no buraco, fazendo-os fugir para fora. Focados na própria briga, os Protypotherium e especialmente o Peltephilus não percebem um predador chegar perigosamente perto por trás, um Patagosmilus goini - um marsupial dentes-de-sabre, parente do Thylacosmilus. Os notoungulados, estando de frente para ele, o notarão a tempo e correrão para longe, enquanto o tatu será atacado mas, graças a sua armadura, conseguirá escapar da mordida inicial e recuará para sua toca. Outro Patagosmilus aparece do outro lado da cena, no canto esquerdo entre o lago e a outra abertura da toca, importunando e tentando atacar um Neosteiromys tordillense, ouriço gigante. Este Neosteiromys de Collón Curá é conhecido de alguns dentes menores que os da espécie tipo, N. bombifrons, e sua inclusão no gênero é incerta.

Também no canto direito, um grupo de Astrapotherium guillei se refresca na água. Esses mamíferos de grande porte, com cerca de 4 m, chamam a atenção com suas grandes presas (maiores nos machos) e tromba que deveria os ajudar a coletar alimento. Na margem, vários besouros-rola-bosta se aproveitam das fezes que o bando deixou antes de entrar na no lago. Atrás deles, algumas árvores Podocarpaceae crescem nesta área próxima d'água.

Nova arte para o projeto Tales from the Phanerozoic, de João Macêdo. Confira aqui o capítulo sobre o Mioceno Médio, com a história por trás da cena e informações detalhadas sobre o ambiente e as criaturas.






segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Liopleurodon

O pliossauro Liopleurodon ferox, que nadou nos mares europeus durante o Jurássico Médio e Tardio.

É impossível mencionar este animal sem lembrar de sua participação no documentário de 1999 "Walking With Dinosaurs", que o mostrou como um titã de 25 m. O grande tamanho era baseado em estimativas e suposições sobre fósseis fragmentários que indicariam animais de até 20 m, além da premissa de que os maiores entre todos os plesiossauros nem mesmo tivessem sido preservados/encontrados. Hoje reconhece-se que tais estimativas são exageradas, e os fragmentos sequer podem ser atribuídos ao Liopleurodon. Dessa forma, a espécie é hoje mais precisamente estimada com um crânio de ~1,5 m e cerca de 6 m de comprimento total, com os maiores espécimes talvez chegando a 8 m.

Porcelana fria, escala 1:35.