segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Qianzhousaurus

Qianzhousaurus sinensis, um tiranossaurídeo chinês de focinho longo e fino que lhe rendeu o apelido "pinóquio rex". Sua descoberta trouxe um melhor entendimento da classificação de seu parente próximo, o Alioramus, pois constatou-se que estes 2 animais formam um grupo - provavelmente - dentro da Tyrannosauridae: a tribo Alioramini. 

Alioramini pode ser "filogeneticamente posicionada" entre as subfamílias Albertosaurinae e Tyrannosaurinae, e ambas têm representantes com recém descritas impressões de pele escamosa. Se tais impressões demonstram que esses tiranossauros tiveram uma perda/redução das penas herdada de um ancestral em comum, tal adaptação incluiria também os Alioramini. O modelo aqui postado foi, no entanto, planejado para representar um animal com extensa cobertura de penas, e tal conceito foi mantido mesmo após a publicação das impressões de pele dos tiranossauros; levando-se em conta que características perdidas podem ressurgir e que Qianzhousaurus é menor do que tiranossaurídeos os quais temos impressões de escamas (um possível fator apontado para a perda das penas é o gigantismo), estimado em 757 kg para o holótipo (um indivíduo jovem, não sabemos a dimensão que um adulto atingiria), pode-se ainda considerar plausível a aparência aqui retratada.

No artigo em que o Daspletosaurus horneri foi descrito, os autores consideraram Qianzhousaurus como outra espécie do gênero Alioramus (no caso, A. sinensis).

Porcelana fria, escala 1:15.











segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Camptosaurus

Diorama retratando o ornitópode Camptosaurus dispar, do Jurássico Superior da América do Norte. 

Porcelana fria, escala 1:10.













domingo, 9 de setembro de 2018

Os Rubidgeinae da África do Sul

Rubidgeinae é uma subfamília de gorgonópsios avançados. Em 2016, ela foi detalhadamente revisada por Christian Kammerer, e de 36 espécies até então descritas, 9 foram reconhecidas como distintas e válidas. Dentre elas, 7 chamam a atenção em conjunto por um motivo: viveram no mesmo local e época, na Bacia do Karoo (África do Sul) durante o Permiano Superior.


Smilesaurus feroxAelurognathus tigricepsSycosaurus laticepsLeontosaurus vanderhorstiDinogorgon rubidgeiRubidgea atrox e Clelandina rubidgei. 7 gorgonópsios que conviveram no mesmo ambiente e época.

7 predadores de grande porte (com crânios de não menos que 30 cm, com alguns ultrapassando 40 cm) compartilhando um mesmo ecossistema implicam alguns fatores interessantes, como suas possíveis especializações para que ocupassem nichos variados e diminuíssem a competição, tornando a convivência possível.

A dentição dá pistas dessas adaptações diferentes, onde a quantidade e tamanho dos dentes varia entre as espécies - por exemplo, algumas têm dentes pós-caninos e outras não (ou os têm reduzidos), o que pode indicar suas preferências para presas de porte variado (especula-se que rubidgeíneos sem dentes pós-caninos, como Clelandina, preferissem caçar animais menores e que pudessem engolir inteiros após matá-los facilmente apenas com os incisivos e caninos). Há variações também entre os característicos caninos, que influenciariam na forma que cada animal caçava. Os caninos proporcionalmente maiores são vistos em Smilesaurus, que por isso deveria caçar de forma mais parecida com os felinos "dentes-de-sabre" do que os outros gorgonópsios.

Temos ainda um possível indicador de que esses animais tinham atividade durante períodos diferentes do dia, pois Clelandina tem os anéis escleróticos (anéis ósseos que sustentam seus olhos) curiosamente pequenos, o que revela um animal de hábitos estritamente diurnos. Não sabemos se essa característica é partilhada pelos outros rubidgeíneos, uma vez que não temos preservados seus anéis escleróticos, mas é bastante provável que a atividade em períodos separados do dia tivesse facilitado a existência dessas 7 espécies no mesmo ambiente.


O enorme Rubidgea atrox.

Rubidgea dá nome à subfamília e é o seu maior integrante. Na verdade não o é apenas entre ela, mas também é um dos maiores gorgonópsios em geral, rivalizando apenas com Inostrancevia. Embora seu crânio tenha o comprimento comparável ao desse parente russo, o de Rubidgea era notavelmente mais robusto.


Pintura digital.

domingo, 26 de agosto de 2018

Pelagornis

Ave grande e dotada de um surpreendente "bico dentado". Na realidade, os "dentes" de Pelagornis (e das demais aves de sua família, a Pelagornithidae) não têm dentina e nem são alojadas em alvéolos dentários, não sendo então dentes verdadeiros, mas sim projeções ósseas do próprio bico.

Além dos chamativos "pseudodentes", outra característica marcante são as asas longas, semelhantes às de aves marinhas que planam por longas distâncias, como o albatroz. Tal semelhança é pura convergência gerada por hábitos de vida parecidos, pois Pelagornis não é aparentada a tais aves marinhas; a classificação da Pelagornithidae passou por diferentes tentativas desde sua descoberta, e novas análises continuam buscando desvendar sua posição entre as aves.

Há várias espécies nomeadas de Pelagornis, e o modelo retrata P. chilensis, do Mioceno no Chile. O esqueleto dessa espécie ultrapassava 4,5m de envergadura, mas, uma vez com as penas, a abertura das asas deveria exceder os 5m.

Porcelana fria, escala 1:10.