segunda-feira, 1 de outubro de 2018
domingo, 9 de setembro de 2018
Os Rubidgeinae da África do Sul
Rubidgeinae é uma subfamília de gorgonópsios avançados. Em 2016, ela foi detalhadamente revisada por Christian Kammerer, e de 36 espécies até então descritas, 9 foram reconhecidas como distintas e válidas. Dentre elas, 7 chamam a atenção em conjunto por um motivo: viveram no mesmo local e época, na Bacia do Karoo (África do Sul) durante o Permiano Superior.
7 predadores de grande porte (com crânios de não menos que 30 cm, com alguns ultrapassando 40 cm) compartilhando um mesmo ecossistema implicam alguns fatores interessantes, como suas possíveis especializações para que ocupassem nichos variados e diminuíssem a competição, tornando a convivência possível.
A dentição dá pistas dessas adaptações diferentes, onde a quantidade e tamanho dos dentes varia entre as espécies - por exemplo, algumas têm dentes pós-caninos e outras não (ou os têm reduzidos), o que pode indicar suas preferências para presas de porte variado (especula-se que rubidgeíneos sem dentes pós-caninos, como Clelandina, preferissem caçar animais menores e que pudessem engolir inteiros após matá-los facilmente apenas com os incisivos e caninos). Há variações também entre os característicos caninos, que influenciariam na forma que cada animal caçava. Os caninos proporcionalmente maiores são vistos em Smilesaurus, que por isso deveria caçar de forma mais parecida com os felinos "dentes-de-sabre" do que os outros gorgonópsios.
Temos ainda um possível indicador de que esses animais tinham atividade durante períodos diferentes do dia, pois Clelandina tem os anéis escleróticos (anéis ósseos que sustentam seus olhos) curiosamente pequenos, o que revela um animal de hábitos estritamente diurnos. Não sabemos se essa característica é partilhada pelos outros rubidgeíneos, uma vez que não temos preservados seus anéis escleróticos, mas é bastante provável que a atividade em períodos separados do dia tivesse facilitado a existência dessas 7 espécies no mesmo ambiente.
Rubidgea dá nome à subfamília e é o seu maior integrante. Na verdade não o é apenas entre ela, mas também é um dos maiores gorgonópsios em geral, rivalizando apenas com Inostrancevia. Embora seu crânio tenha o comprimento comparável ao desse parente russo, o de Rubidgea era notavelmente mais robusto.
Pintura digital.
domingo, 26 de agosto de 2018
Pelagornis
Ave grande e dotada de um surpreendente "bico dentado". Na realidade, os "dentes" de Pelagornis (e das demais aves de sua família, a Pelagornithidae) não têm dentina e nem são alojadas em alvéolos dentários, não sendo então dentes verdadeiros, mas sim projeções ósseas do próprio bico.
Além dos chamativos "pseudodentes", outra característica marcante são as asas longas, semelhantes às de aves marinhas que planam por longas distâncias, como o albatroz. Tal semelhança é pura convergência gerada por hábitos de vida parecidos, pois Pelagornis não é aparentada a tais aves marinhas; a classificação da Pelagornithidae passou por diferentes tentativas desde sua descoberta, e novas análises continuam buscando desvendar sua posição entre as aves.
Há várias espécies nomeadas de Pelagornis, e o modelo retrata P. chilensis, do Mioceno no Chile. O esqueleto dessa espécie ultrapassava 4,5m de envergadura, mas, uma vez com as penas, a abertura das asas deveria exceder os 5m.
Porcelana fria, escala 1:10.
sábado, 11 de agosto de 2018
Leptictidium
Um mamífero que mostra muitas características especializadas: pernas longas, cauda bastante comprida, braços pequenos e adaptados para segurar a comida e, provavelmente, uma tromba curta e móvel. Leptictidium viveu na Alemanha durante o Paleogeno, se alimentando de plantas, insetos e pequenos vertebrados (como podemos constatar pelo conteúdo estomacal preservado em alguns espécimes fósseis).
O modelo retrata a espécie L. tobieni, a maior do gênero, medindo até 90 cm de comprimento (sendo cerca de 50 cm correspondentes à cauda).
Porcelana fria, escala 1:2.
domingo, 29 de julho de 2018
Na Gruta do Urso - Arctotherium e Equus
Pleistoceno no Brasil, Estado do Tocantins. À frente do maciço da Gruta do Urso, um Arctotherium wingei assusta um bando de Equus (Amerhippus) neogeus, aproveitando a confusão da debandada para se aproximar e tentar abater um indivíduo.
Um estudo do Laboratório de Mastozoologia - UNIRIO (LAMAS) e colegas fez a constatação inédita da interação ecológica dessas espécies, onde os ossos do cavalo mostravam marcas deixadas pelo urso, que os consumira.
Tive o prazer de produzir a ilustração para os pesquisadores!
domingo, 15 de julho de 2018
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