sexta-feira, 6 de março de 2020

Captorrinídeos da Formação Pedra de Fogo

Um Moradisaurinae indeterminado e alguns Captorhinikos sp. se alimentam e descansam em meio a mata úmida da Formação Pedra de Fogo, Permiano inferior onde hoje está o Piauí.

Esses répteis tratam-se dos mais antigos tetrápodes herbívoros conhecidos do Gondwana, além de marcarem o primeiro registro de captorrinídeos na América do Sul.

Tive o prazer de realizar a ilustração a convite e supervisão do Dr. Juan Carlos Cisneros! Muito obrigado e parabéns à toda a equipe pela fantástica pesquisa!

Confira o artigo para saber mais sobre os Captorhinidae do Nordeste brasileiro:
Cisneros JC, Angielczyk K, Kammerer CF, Smith RMH, Fröbisch J, Marsicano CA, Richter M. 2020. Captorhinid reptiles from the lower Permian Pedra de Fogo Formation, Piauí, Brazil: the earliest herbivorous tetrapods in Gondwana. PeerJ 8:e8719 doi.org/10.7717/peerj.8719



quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Prestosuchus

Prestosuchus, um grande predador da pré-história brasileira - seu crânio, junto da mandíbula, atingia 88cm. Viveu durante o Triássico Médio onde hoje está o Rio Grande do Sul.

P. chiniquensis foi descrito, junto de outros animais da Formação Santa Maria,  por von Huene em 1942. Desde então, novos espécimes foram descobertos e estudados, como por exemplo o mencionado grande crânio e um indivíduo menor mais completo. Já se constatou, inclusive, que diferentes espécimes mostram formas juvenis de Prestosuchus, nos fornecendo informação sobre o crescimento desse impressionante réptil.

O modelo retrata o animal arqueando os membros e abrindo a boca, uma postura comunicativa que poderia impressionar uma fêmea ou assustar um rival.

Porcelana fria, escala 1:20.













sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Quando brasileiros caçavam proboscídeos

Humanos abatendo um filhote de Notiomastodon platensis. Pleistoceno onde hoje está a região arqueológica Lagoa Santa Karst, em Minas Gerais, Brasil.

A cena se baseia na descoberta do crânio de um Notiomastodon de cerca de 1 ano de idade apresentando uma perfuração causada por um artefato humano, onde a natureza e o local da perfuração apontam que o golpe foi desferido para matar o animal. Trata-se de evidência inédita de que humanos caçaram proboscídeos na América do Sul.

É interessante notar que a mulher ilustrada é baseada na reconstrução do crânio de "Luzia", um dos mais antigos e importantes fósseis humanos sul-americanos. Ela se prepara para golpear o filhote de Notiomastodon que caído sobre seu lado direito, posição inferida pela direção da perfuração.

A ilustração foi realizada em 2016 a convite e supervisão de Leonardo Avilla e Dimila Mothé. Foi um prazer ilustrar esse importante achado! Muito obrigado!

Confira a pesquisa no artigo:
Mothé, D., Avilla, L. S., Araújo-Júnior, H. I., Rotti, A., Prous, A., & Azevedo, S. A. K. (2020). An artifact embedded in an extinct proboscidean sheds new light on human-megafaunal interactions in the Quaternary of South America. Quaternary Science Reviews, 229, 106125. https://doi.org/10.1016/j.quascirev.2019.106125



terça-feira, 26 de novembro de 2019

Targaryendraco

Targaryendraco wiedenrothi, um recém descrito pterossauro cujo nome homenageia o fenômeno Game of Thrones. Mas o mais interessante sobre ele não é o nome, e sim sua contribuição para o nosso entendimento sobre toda uma linhagem de pterossauros.
Tive o prazer de realizar a reconstrução do Targaryendraco para uma matéria do National Geographic sobre o novo pterossauro. Muito obrigado ao Rodrigo Vargas Pêgas pelo convite, e parabéns pela descoberta!

Confira a matéria:


segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Gerrothorax

O temnospôndilo Gerrothorax pulcherrimus, plagiossaurídeo com cerca de 1m de comprimento que viveu do Triássico Inferior ao Superior. Seus fósseis foram encontrados na Alemanha, na Suécia, na Groenlândia e na Tailândia. Sua existência por tão vasto intervalo de tempo e de espaço, mantendo basicamente a mesma forma, revela um animal bem sucedido e com boa flexibilidade ao seu ambiente - ele inevitavelmente precisava estar em um corpo d'água, mas apresentava boa tolerância ao tamanho e salinidade do local, onde provavelmente caçava espécies diversas (sem depender de uma presa específica).

Gerrothorax foi um predador que deveria emboscar no fundo de rios, lagos, pântanos e estuários. Sua forma de capturar as presas já foi abordada por vezes na literatura, e uma ideia comum é a de que o animal pudesse permanecer em repouso, com a mandíbula imóvel, e abocanhar (ou tragar pela sucção da água) a presa apenas por elevar rapidamente o crânio, que confere uma ampla mordida por si só, mesmo sem abaixar a mandíbula (um trabalho relativamente recente detalha essa capacidade). Um estudo posterior concluiu, no entanto, que abrir a boca apenas erguendo o crânio, sem mover a mandíbula, não deixaria espaço para seu aparato hiobranquial se retrair e gerar a sucção da água e da presa para a boca. Como solução, foi pensado que, uma vez detectado o alimento, Gerrothorax levantaria a cabeça (talvez também um pouco do corpo) com a boca fechada, e então abriria a boca levantando o crânio e abaixando a mandíbula. Com essa ação, sim, o aparato hiobranquial se retraia, expandindo então a cavidade bucal e possibilitando a sucção da água e da presa. Sua musculatura permitiria que a boca abrisse e fechasse com rapidez, e a água sugada podia ser liberada pelas guelras.

Seu corpo era achatado e protegido por uma armadura de placas. Seus membros posteriores se voltavam para trás (um pesquisador chegou a comparar essa condição à das focas), seguindo a direção da cauda. A cauda em si era um tanto curta, então as pernas deveriam agir junto dela como uma nadadeira horizontal única para garantir a propulsão durante o nado. Os membros anteriores, portanto, teriam pouco papel para nadar e seriam mais úteis para ajudar a se apoiar ou se locomover no fundo das águas em que habitava.

Porcelana fria, escala 1:5.














Hoje entendemos que um Gerrothorax adulto não teria guelras externas (visivelmente semelhantes, por exemplo, às do atual axolotle), uma concepção comum no passado. Além desse plagiossaurídeo ter características associáveis a guelras internas, pesquisadores identificaram em seu esqueleto o que funcionaria como a "câmara" da guelra interna. Também questionaram por que um animal de corpo tão bem protegido manteria partes tão sensíveis, como as guelras, expostas, uma lógica que concorda com elas terem sido estruturas internas.

 Por valores nostálgicos, porém, o modelo têm guelras externas removíveis para que possa ser exposto também numa versão "retrô", bastando removê-las para voltar à versão moderna, de guelras internas, quando desejado.